Texto de Rita Jacinto · 22 de outubro de 2026
Às vezes, tudo começa com um simples “podemos voltar?”. Uma atividade que parecia apenas uma forma de ocupar uma tarde pode acabar por despertar novas perguntas, brincadeiras e uma vontade de repetir que vai muito além daquele momento.
Mas como saber antecipadamente aquilo que vai interessar a uma criança? Nem sempre é possível, e talvez nem seja preciso... Mais do que acertar à primeira na atividade ideal, importa criar oportunidades para experimentar, dando às crianças espaço para descobrir novas possibilidades e perceber, aos poucos, aquilo de que realmente gostam.
E o valor destas oportunidades vai muito além de encontrar uma forma de ocupar os tempos livres. Quando uma criança encontra algo que realmente a entusiasma, pode sentir vontade de fazer perguntas, experimentar por iniciativa própria e procurar soluções quando surgem dificuldades. Pelo caminho, aprende coisas novas, conhece melhor as suas preferências e começa a ganhar confiança para participar nas escolhas sobre aquilo que quer fazer.
1. Os interesses também se descobrem e desenvolvem
Como descobrir se gostamos de alguma coisa se nunca tivemos oportunidade de a experimentar? É natural que muitas das preferências das crianças estejam relacionadas com aquilo que já conhecem, seja através das brincadeiras habituais, da escola ou das atividades em que costumam participar. Mas isso não significa que sejam as únicas coisas de que poderiam gostar! Ao entrarem em contacto com novas experiências, descobrem possibilidades que talvez nunca tivessem considerado.
Mas experimentar é apenas o primeiro passo... e nem sempre é amor à primeira vista! Algumas atividades despertam entusiasmo imediato, enquanto outras precisam de tempo para se tornarem familiares e interessantes. Uma primeira experiência menos positiva nem sempre significa falta de interesse: a criança pode sentir-se insegura perante algo desconhecido e encará-lo de outra forma quando ganha confiança. Por outro lado, uma experiência muito divertida não se transforma necessariamente numa vontade de continuar. É por isso que dar continuidade às atividades que despertam curiosidade é tão importante como proporcionar novas descobertas, permitindo que as crianças explorem melhor aquilo de que gostam e percebam se esse interesse se mantém.
E claro que os gostos também mudam! Aquilo que entusiasma numa determinada fase pode deixar de despertar a mesma curiosidade mais tarde. Mas isso não significa que o tempo tenha sido desperdiçado: perceber que uma atividade já não desperta o mesmo interesse também faz parte da descoberta. Afinal, conhecer melhor os próprios gostos implica ter liberdade para explorar outras possibilidades e mudar de ideias.
2. Como podem os pais acompanhar esta descoberta?
Muitas vezes, as primeiras pistas sobre aquilo que desperta interesse nas crianças estão nas pequenas coisas do dia a dia: as brincadeiras que procuram espontaneamente, os assuntos sobre os quais não se cansam de fazer perguntas ou aquilo que escolhem fazer nos momentos livres. Prestar atenção a estas curiosidades pode ser um bom ponto de partida para procurar novas experiências, sem deixar de apresentar possibilidades que ainda não conhecem.
E porque não envolver as próprias crianças na escolha dos programas? Ao planear uma atividade para o fim de semana, por exemplo, os pais podem apresentar algumas opções e deixar que os filhos participem na decisão. Mas a descoberta não termina quando a atividade acaba: conversar sobre aquilo de que mais gostaram, o que os surpreendeu ou se ficaram com vontade de repetir pode ajudar a compreender melhor os seus interesses e orientar futuras escolhas.
Naturalmente, acompanhar este processo também implica saber quando incentivar e quando dar espaço. Perante uma dificuldade, pode fazer sentido encorajar uma nova tentativa e mostrar que aprender exige tempo, mas, quando o desinteresse persiste, é igualmente importante ouvir e respeitar a vontade da criança. Esse equilíbrio também passa por reconhecer que proporcionar oportunidades não significa preencher todos os momentos livres com atividades organizadas. O tempo para brincar, imaginar e explorar por iniciativa própria também é importante para que descubram aquilo de que gostam, sem pressões ou expectativas de resultados.
Há um mundo de possibilidades por descobrir!
É para ajudar as famílias a encontrar estas oportunidades que existe a Gleedot: reunimos num só lugar atividades para diferentes idades e interesses, tornando mais simples descobrir novas experiências ou aprofundar uma curiosidade que já existe.
Assim, sobra menos tempo para procurar e mais tempo para descobrir tudo aquilo de que podem gostar. 💚